sexta-feira, 8 de março de 2013

Campeonato Paraibano: confira a classificação final do 1° turno e os jogos da rodada inicial do 2° turno.


Com o encerramento da 14° rodada do primeiro turno do Campeonato Paraibano, a classificação final da primeira fase terminou da seguinte forma: 1° Botafogo-PB, 2° Treze, 3° CSP, 4° Atlético, 5° Auto Esporte, 6° Nacional, 7° Paraíba, 8° Cruzeiro. O Belo saiu invicto dessa fase, somou 34 pontos, já que ganhou 10 partidas e empatou 4, obtendo 81% de aproveitamento. O time ainda teve o melhor ataque (marcou 36 gols) e a segunda melhor defesa (sofreu 11 gols) da competição. Segundo colocado, o Treze fez 32 pontos: venceu 10, empatou 2 e perdeu 2, o que lhe garantiu um aproveitamento de 76,2%. O Galo terminou com a melhor defesa, sofreu 10 gols, e o segundo melhor ataque, marcando 30 vezes. Pode-se notar pelos números, que Botafogo-PB e Treze terminaram muito próximos no primeiro turno, mostrando-se muito superiores aos demais times. O CSP, por exemplo, terceiro colocado, somou apenas 21 pontos, que foram conquistados com 6 vitórias, 3 empates e 5 derrotas (50% de aproveitamento), desempenho bem inferior aos dois primeiros colocados. O pior ataque ficou por conta do rebaixado Paraíba (marcou somente 11 gols), sendo o segundo pior o Auto Esporte (13 gols marcados). A defesa mais vazada também foi de um time rebaixado, o Cruzeiro, que levou incríveis 40 gols, enquanto a segunda pior foi de novo o Clube do Povo, com 27 gols sofridos.
Terminada a primeira fase, a Federação divulgou a tabela com os jogos do 2° turno da competição, que será iniciado já nesse próximo final de semana. No domingo (10 mar., 16h), pela primeira rodada, serão realizados os seguintes jogos: CSP x Botafogo-PB (Graça), Treze x Auto Esporte (Presidente Vargas) e Sousa x Nacional de Patos (Marizão). Como o Campinense disputará a final da Copa do Nordeste, a Federação adiou os primeiros jogos da Raposa, alterando as datas das partidas para depois da decisão do torneio regional, que será realizado nos dias 10 e 17 de fevereiro. O primeiro confronto ocorrerá  no Estádio Municipal de Arapiraca, enquanto o jogo decisivo será no Amigão. Assim, o Campinense estreará apenas no dia 21 de março, em Cajazeiras, contra o Atlético (20:30h, Perpetão). O bom desempenho da Raposa na Copa do Nordeste cria grandes expectativas para o 2º turno do Campeonato Paraibano, uma vez que poderemos avaliar mais concretamente a  grande superioridade apresentada por Botafogo-PB e Treze na primeira fase. Isso dependerá, evidentemente, da motivação para disputar a competição, bem como da capacidade e possibilidade da diretoria do Campinense manter o elenco, que valorizou-se bastante com o bom desempenho do time na Copa do Nordeste. É esperar pra ver!

terça-feira, 5 de março de 2013

Depois de colaborar com os militares, embolsar medalha e roubar energia elétrica do vizinho, Zé das Medalhas foi eleito personalidade do ano em 2012.

Por mais incrível que pareça, o presidente da CBF, José Maria Marin, o popular Zé das Medalhas, foi  eleito personalidade do ano de 2012. O prêmio, oferecido pelo setor da indústria de turismo e viagem, foi entregue na última quarta-feira (27 fev.), em cerimônia realizada em São Paulo. É realmente inacreditável, mas é verdade. Como alguém que colaborou ativamente com o regime militar, surrupiou uma medalha na cerimônia de premiação da Copa São Paulo (2012) e foi flagrado, a poucas semanas, roubando energia elétrica do vizinho, pode receber qualquer tipo de premiação? A situação torna-se ainda mais vergonhosa, porque o prêmio em questão elegeu a personalidade do ano no Brasil. Será que não haveria outra personalidade, moralmente mais integro e honesto, capaz de receber essa agraciação em nosso país? A resposta, todos nós sabemos. Mas essa premiação parece ter contornos, sobretudo, políticos, já que o setor de turismo e viagem está intimamente comprometido com a Copa do Mundo do Brasil, que promete ser altamente lucrativa, não para o povo brasileiro, mas sim para os empresários dedicados a essas atividades. A verdade é que essa premiação surgiu em uma hora estratégica, pois o Zé das Medalhas já começa a ser questionado por diversos setores da sociedade brasileira. Atenta a isso, a CBF logo estampou no seu site essa grande notícia, José Maria Marin: personalidade do ano, numa tentativa desesperada de limpar a imagem de um homem que está mais sujo do que pau de galinheiro.

Zé das Medalhas com a esposa recebendo premiação de personalidade
 do Ano de 2012. A boa notícia é que dessa vez o presidente
 da CBF não precisou embolsar nenhum prêmio.

Ontem, Juca Kfouri, um dos jornalistas que mais lutam pela moralização do futebol brasileiro, divulgou que o movimento de contestação ao presidente da CBF chegou a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Nessa casa, os deputados Carlos Giannazi (PSOL) e Ramalho da Construção (PSDB) apoiaram, durante uma das sessões, o abaixo-assinado criado por Ivo Herzog, filho do jornalista Vladimir Herzog, morto durante a Ditadura Militar. Ainda durante a sessão, foi exibido um vídeo mostrando José Maria Marin embolsando uma das medalhas da copinha. Em discurso, o deputado Giannazi lembrou também do apoio prestado pelo presidente da CBF a ditadura, bem como seu envolvimento na morte do jornalista Vladimir Herzog: "O presidente da CBF, que irá representar o Brasil na Copa do Mundo, apoiou o regime militar e, na verdade, ajudou com suas posições políticas, sobretudo através de um pronunciamento feito, aqui, de onde estou falando. Em 1975, ele deu elementos para que o jornalista Vladimir Herzog, diretor de jornalismo da TV Cultura, fosse morto nos porões do DOI-Codi". Sinceramente, já passou da hora de uma intervenção política na CBF. A presidenta Dilma, o MPF e outras autoridades precisam se pronunciar e tomar medidas a favor da moralização do nosso futebol. Não dá mais pra ficar na eterna desculpa de que não se pode fazer nada, porque a CBF é uma entidade privada. É uma entidade privada, mas administra o futebol brasileiro, patrimônio cultural do nosso país, portanto, um bem público. A intervenção, portanto, tem motivos mais do que justo, é mais do que legitima.
No entanto, enquanto isso não ocorre, participe do "movimento Fora Marin". Assine o abaixo-assinado que exige sua saída da CBF clicando no link a seguir: http://www.avaaz.org/po/petition/Jose_Maria_Marin_Fora_da_CPF/?launch. Pelo bem do futebol brasileiro, peço a todos que participem e divulguem. Todos juntos pela moralização do nosso futebol.

Após lance polêmico, Real Madrid vence o Manchester e avança para as quartas de finais da Champions League.



Agora pouco, o Real Madrid venceu o Manchester United por 2 x 1 pelas oitavas de finais da UEFA Champions League. Depois de um primeiro tempo bastante igual e disputado, com poucas oportunidades para ambas as equipes, o time inglês abriu o placar logo no início da segunda etapa com um gol contra do espanhol Sérgio Ramos. A partir desse momento, o Manchester United, que já havia acertado uma bola na trave na etapa inicial, passou a controlar a partida e parecia ter boas chances de avançar na competição. No entanto, aos 11 minutos da etapa final, ocorreu um lance capital na partida. Em uma disputa de bola no meio campo, o meia Nani chocou-se com Arbeloa. Surpreendentemente, o árbitro turco expulsou o jogador do time inglês, interferindo diretamente no andamento da peleja. No meu ponto de vista, o juiz se precipitou e errou, porque o choque entre os atletas pareceu mais uma trombada, um acidente de trabalho, que no máximo poderia ser advertido com um cartão amarelo, justificado pela tal da imprudência, tão evocada por muitos comentaristas de arbitragem. O fato é que depois desse lance, o Manchester United se encolheu e o Real Madrid passou a sufocar o seu adversário. Com o controle da partida, o time Merengue criou várias oportunidades de gol, chegando ao empate com um belo chute de fora da área do meia Modric, que havia entrado a poucos minutos no jogo. A pressão continuou, e apenas 3 minutos depois o time espanhol virou a partida com um gol de Cristiano Ronaldo, que aproveitou um chute cruzado na área e completou para as redes.
Após a vidada no marcador, o Real Madrid tocou mais a bola, valorizou mais a sua posse, procurando administrar o jogo. Precisando marcar dois gols, o técnico Alex Ferguson promoveu mudanças na sua equipe: primeiro colocou Rooney, depois Young, empurrando o time para frente. A partir de então, o Manchester United passou a sufocar os Merengues, que mesmo com um jogador a mais aceitou a pressão do seu adversário. Nos minutos finais, o time inglês fez uma verdadeira blitz e criou pelo menos três ótimas oportunidades de gol. Diego López, goleiro do time espanhol, fez ótimas defesas e salvou os espanhóis, transformando-se em um dos melhores jogadores da partida. Apesar de toda pressão, o Real Madrid conseguiu segurar o placar e avançou para as quartas de finais da competição europeia. O meia brasileiro Kaká, convocado a pouco por Felipão para jogar 2 amistosos com a seleção, entrou ainda no final do primeiro tempo, mas fez apenas uma partida discreta. Suas últimas atuações, incluo na conta também o clássico contra o Barcelona, parecem apenas reforçar seu papel de coadjuvantemente, o que respalda ainda mais a opção do técnico José Mourinho, que constantemente vem deixando o craque brasileiro no banco. Falando em técnico, Alex Ferguson também não foi bem na partida. Ainda antes do final do jogo, o comandante do time inglês recebeu muitas críticas, sendo censurado por ter escalado mal a equipe, já que deixou o atacante Ronney no banco. A imprensa inglesa também reclamou da demora nas alterações, já que o aclamado atacante do Manchester United entrou no jogo quase na casa dos 30 minutos da etapa final. Mas tudo isso influenciou pouco no resultado da partida, pois quem mais interferiu no resultado foi o juiz turco. Sua decisão de expulsar o jogador do Manchester alterou o rumo do jogo, não deixando de ajudar o Real Madrid, que agora vai em busca do 10° título do campeonato europeu de clubes.

Confira os melhores momentos de Manchester United 1 x 2 Real Madrid 
pelas oitavas de finais Champions League.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Na Copa do Nordeste, Campinense vem matando um Leão por dia. Com a vitória sobre o Fortaleza, Raposa quebra tabu histórico, se vinga do rebaixamento de 2011 e ainda faz final inédita.



Nesse domingo, o Campinense fez história no estádio Amigão ao vencer o Fortaleza por 1 x 0, placar que garantiu o time de Campina Grande na grande final da Copa do Nordeste. Nenhuma equipe paraibana chegou tão longe nessa competição. Até então, nas 10 edições anteriores, o melhor resultado obtido pelo futebol paraibano foram os quartos lugares conquistados pelo Botafogo-PB (1976, 1998) e Treze (2010). Com essa vitória sobre o Leão do Pici, a Raposa superou não apenas seus rivais no estado, mas também melhorou seu próprio desempenho no torneio regional, pois, antes dessa incrível campanha, havia participado apenas da edição de 1999, quando alcançou uma distante 14° colocação. Por tudo isso, os 20 mil raposeiros que lotaram o estádio, mas também os milhões de paraibanos, devem se orgulhar do que aconteceu domingo no Amigão, pois, pela primeira vez na história, um clube do estado poderá ser campeão da Copa do Nordeste. Além disso, a derrota sobre o Fortaleza garantiu ainda a quebra de um outro tabu histórico, porque o Campinense nunca havia vencido o Leão cearense, pelo menos em jogos oficiais. Como se não bastasse, a Raposa ainda pôde se vingar do rebaixamento para a Série D do Brasileiro de 2011,  que ficou marcado pelas polêmicas e acusações que envolveram diretamente o time cearense, acusado de manipular o resultado do seu jogo contra o CRB, o que foi decisivo para o descenso do time paraibano.
Dentro de campo, o Campinense foi melhor do que o Fortaleza. Se impôs desde os primeiros minutos do jogo, conseguindo um pênalti logo nos primeiros minutos da partida. É bem verdade que a falta que originou o gol da vitória foi fora da área, o que configura um erro da arbitragem, mas o time paraibano não ganhou por causa desse erro do juiz. Venceu e se classificou porque jogou melhor, praticamente, durante os 90 minutos. Apesar da derrota, o Fortaleza teve muita sorte, pois o Campinense ainda perdeu um pênalti (dessa vez bem marcado) e acertou duas bolas na trave, sem contar os demais lances de perigo que assustaram o goleiro do time cearense. O Leão do Pici, por sua vez, até teve mais posse de bola, o que é normal, já que precisava do resultado, mas não transformou essa posse em oportunidades claras de gol. Nas poucas vezes em que conseguiu chegar ao ataque, o Fortaleza esbarrou no ótimo posicionamento da linha defensiva do Campinense ou no seguro e inspirado goleiro Pantera, que pôde ainda contar com a sorte e a incompetência dos atacantes, responsáveis por desperdiçar as poucas oportunidades de gols criadas pelo time cearense. Por tudo isso, o Campinense mereceu a vitória, porque jogou como um time grande, fazendo com que o tradicional Leão do Pici parecesse um time pequeno. Revoltados, torcedores, que na verdade são vândalos, provocaram uma grande confusão no final da partida e depredaram as cadeiras e outras partes do estádio, demonstrando, assim, o quanto são péssimos perdedores.

Confira o gol da classificação do Campinense.

Espero que essa derrota do Fortaleza sirva, sobretudo, como lição para a imprensa e a torcida cearense, que desrespeitou, ao longo desse confronto, não apenas o Campinense, mas também o futebol paraibano. O jogo se ganha dentro de campo, não com manchetes bairristas e preconceituosas, por isso o Campinense está na decisão. Na grande final, a Raposa enfrentará o Asa de Arapiraca, que também desbancou o suposto favoritismos do Ceará, vencendo a partida no Castelão por 1 x 0. Como tem melhor campanha na competição, o Campinense jogará a partida decisiva em casa. Assim, o primeiro confronto entre os finalistas ocorrerá já no próximo domingo (10 fev., 16h), no Estádio Municipal de Arapiraca, enquanto a segunda partida será realizada no Amigão, também em um domingo (17 fev., 16h). O confronto é inédito, pois ambas as equipes nunca se enfrentaram antes pela Copa do Nordeste. O duelo promete ser bastante equilibrado, já que o Asa é o que se pode chamar de um time "enjoado", enquanto a Raposa vem se mostrando briosa ao longo da competição. Veremos o que vai acontecer! Porém, a torcida do Campinense não deve ficar receosa, pois, com o perdão do trocadilho para os admiradores do Sport e do Fortaleza, quem vem matando um Leão por dia na Copa do Nordeste não pode temer o Fantasma alagoano de Arapiraca.

domingo, 3 de março de 2013

Fortaleza e Ceará eliminados da Copa do Nordeste. Clássico Rei, agora, só pelo Campeonato cearense.



Esse domingo foi, no minimo, frustrante para a torcida e a imprensa cearense, que viu Fortaleza e Ceará, os dois principais times da capital, eliminados da Copa do Nordeste. No Amigão, o Campinense venceu com autoridade o Leão do Pici por 1 x 0, enquanto no Castelão o Asa derrotou o Vovô, que cansou de perder gols e foi castigado no final da partida, perdendo o jogo também por 1 x 0. Os times cearenses jogavam pelo empate: para o Fortaleza qualquer resultado de empate servia, pois ganhou o primeiro jogo em casa por 2 x 1, já o Ceará podia empata até por 2 x 2, uma vez que fora dos seus domínios empatou por 3 x 3. No entanto, nenhum desses resultados aconteceu, e quem sonhava com uma final cearense vai ter que se contentar em ver um time da Paraíba e outro de Alagoas na decisão. É bem verdade que o Campinense e o Asa não têm a mesma tradição dos dois times cearenses, mas futebol se ganha dentro de campo, como demonstrou as equipes paraibana e alagoana, que vêm fazendo boas atuações na competição. Esse resultado deve servir de lição para grande parte da imprensa e da torcida cearense, que desrespeitou, em vários momentos, o Campinense e o Asa. Ambas as equipes foram briosas e frustraram todos àqueles que já davam como certos um Clássico Rei na grande final. Mas a imprensa e os torcedores cearenses não precisam ficar tristes, pois, logo mais, poderão ver um Clássico Rei, só que pelo Campeonato Cearense, não pela Copa do Nordeste.

60 vezes Zico. No aniversário do galinho confira sua trajetória no futebol e acompanhe entrevista inédita feita pela CBN.

Zico comemora gol de falta contra o Botafogo no Maracanã. Por sugestão
 do próprio galinho a imagem serviu de modelo para a estátua.

Nesse domingo, dia 03 de março, Zico completa 60 anos de idade. Como bem destacou o jornalista Renato Maurício Prado, essa data tem o mesmo significado do Natal para os rubro-negros, pois da mesma forma que os cristãos dividem o tempo em antes e depois do nascimento de cristo, os flamenguistas dividem a sua história em antes e depois de Zico. De fato, o galinho, apelido por qual ficou conhecido, pode ser considerado, sem nenhum exagero, o maior jogador da história do Flamengo. Em 732 jogos com o manto sagrado, ele fez incríveis 509 gols, média de 0,70 por partida, tornando-se o maior artilheiro da história do time carioca. Na década de 1980, jogando com uma geração de craques, ganhou todos os títulos possíveis na época, ajudando o clube da Gávea, que tinha apenas conquistas regionais, a ganhar projeção nacional e internacional. Ao longo dos 20 anos em que defendeu o Flamengo, sagrou-se campeão da Libertadores (1981), do Mundial de Clubes (1981), do Campeonato Brasileiro (1980, 1982, 1983 e 1987) e do Campeonato Carioca (1972, 1974, 1978, 1979 - 2 vezes - , 1981 e 1986). A essas conquistas, somaram-se uma outra série de taças e troféus, conquistados também entre as décadas de 1970 e 1980, em torneios nacionais e internacionais: Taça Guanabara, Taça Rio, Troféu Ramón de Carranza, Torneio Internacional de Nápoles, Torneio Internacional de Hamburgo, entre outros títulos.
Na seleção brasileira, seus números também impressionam, e traduzem o bom desempenho individual do camisa 10 da Gávea. Em 88 jogos com a "amarelinha" fez 66 gols (média de 0,75 por partida), tornando-se o 4° maior artilheiro da seleção brasileira. Não ganhou uma Copa do Mundo, nem tampouco outras competições importantes, conquistando apenas torneios menores como o Torneio Pré-Olímpico (1971), as Copa Roca e Rio Branco (1976), o Mundialito de Cáli (1977) e o Torneio Bicentenário do EUA (1976). Muitos dos seus detratores costumam criticá-lo por não ter conquistado um campeonato mundial com a seleção, mas o jornalista Fernando Calazans ofereceu uma ótima resposta a essa injustiça: "Se Zico não ganhou uma Copa do Mundo, o azar é da Copa do Mundo". Fora do Brasil, o galinho ainda jogou na Udinese (1983-1985) e no Kashima Antlers (1991-1994), onde conseguiu ganhar mais alguns títulos. Na Itália permaneceu pouco tempo, mas mesmo assim manteve a média de 0,70 gols por partida, marcando 56 gols em 79 jogos. No Japão Zico fez história, pois, com os seus muitos gols, ajudou a desenvolver o futebol nesse país. Individualmente, ganhou vários prêmios ao longo da sua vitoriosa carreira, dentre os quais destacam-se as Bolas de Prata como jogador (1974, 1975, 1977, 1982 e 1987) e artilheiro (1980 e 1982), bem como as Bolas de Ouro (1974 e 1982), todos oferecidos pela revista Placar.

Inauguração da estátua de Zico na Gávea. Imagem lembra comemoração
 no 3 x 3 contra o Botafogo pelo Campeonato Carioca de 1989.

Por toda essa trajetória, por todos esses números, Zico merece ser celebrado e homenageado nesse dia tão especial em que completa 60 anos. A nova diretoria do Flamengo, motivada por grande parte da torcida, homenageou o craque rubro-negro ontem pela manhã na Gávea, inaugurando uma estátua de bronze do galinho. É bem verdade que essa é uma homenagem tardia, pois, por tudo que fez pelo Flamengo, Zico merecia a tempos uma estátua na sede do clube. Mas antes tarde do que nunca. Pelo menos o galinho está vivo e pôde ver essa merecida homenagem. Para celebrar essa data tão especial, reproduzimos abaixo uma entrevista inédita feita pela rádio CBN no domingo passado, dia 24 de fevereiro. O programa foi um especial sobre os 60 anos de Zico, que foi entrevistado pelos jornalistas Evaldo José, Alvaro Oliveira Filho, Carlos Eduardo Eboli, Francisco Aiello e Leandro Lacerda. Vale muito a pena acompanhar. Encerro essa postagem apenas desejando vida longa ao eterno camisa 10 da Gávea.

Primeira parte: Zico fala sobre a família, o início no futebol, a relação
 com os irmãos boleiros, o Flamengo da década
 de 1980 e a Libertadores de 1981.

Na segunda parte, o galinho responde perguntas sobre o Mundial de
 Clubes de 1981, o fortalecimento muscular por qual se submeteu
 no início da carreira e a grave contusão no joelho.

Terceira parte: o craque responde perguntas sobre o individualismo
no futebol atual, o grande camisa 10 do Flamengo
 pós-Zico e seleção brasileira.

Na quarta parte, Zico fala sobre a atual seleção brasileira, sobre sua
 passagem pela Itália e sobre craques como Neymar e Messi.

Quinta parte: destaque para sua carreira como técnico e, em respostas
curtas, faz uma espécie de tabelinha com os jornalista.

Última parte: o craque continua respondendo perguntas curtas
 (tabelinha) e destaca sua relação com Sandra, sua mulher.

sábado, 2 de março de 2013

Futebol e política. Uma homenagem aos 59 anos do Dr. Sócrates.

Entre os jogadores de futebol do Brasil e do mundo, não é comum o interesse por assuntos relacionados a política ou a cidadania. No caso específico do nosso país, esse desinteresse é perfeitamente compreensível, já que a esmagadora maioria dos nossos jogadores são de famílias humildes, que vivem em regiões periféricas, onde não são assegurados educação de qualidade, acesso a cultura e outros direitos básicos importantes na concretização da cidadania. No entanto, mesmo quando viram craques e passam a receber altos salários, tonando-se prestigiados perante o público e a mídia, os jogadores não se preocupam em investir no crescimento intelectual ou cultural, salvo uma ou outra exceção. Em tempos de estrelas com discursos e dancinhas vazias de sentido e ideologia, tais como Neymar, Ronaldinho Gaúcho e muitos outros, é fundamental lembrarmos de craques que tiveram uma posição contrária, destacando-se por assumir uma postura política combatente. O aniversário de Sócrates, que completaria 59 anos no último dia 19 de fevereiro, é uma ótima oportunidade para rememorarmos a memória desse fantástico jogador, diferenciado tanto pela técnica demonstrada nas quatro linhas quanto pela sua atuação política.
Filho de funcionário público federal, Sócrates nasceu em Belém, no Pará, em 1954, mas ainda criança mudou-se para Ribeirão Preto (SP), pois, por conta do trabalho, seu pai foi transferido para essa cidade. Quando criança jogava futebol na escola, mas na adolescência passou a treinar no Botafogo-SP, time bastante tradicional da cidade de Ribeirão Preto. Sócrates teve uma boa formação intelectual: estudou em boas escolas, teve orientação familiar e cresceu em um ambiente cercado por livros. Aos 17 anos ingressou no curso de medicina, mas não abandonou o futebol, pois continuou treinando e jogando no time juvenil do Botafogo-SP. Em 1973 decidiu se profissionalizar como jogador, mas manteve-se como estudante de medicina, terminando o curso em 1977. Sócrates já se destacava no time de Ribeirão Preto, mas preferiu concluir seu curso para depois transferir-se para um clube grande de projeção nacional. Isso ocorreu em 1978, ano em que o agora Dr. Sócrates foi contratado pelo Corinthians. No clube paulista, transformou-se rapidamente em ídolo, o que lhe permitiu chegar a seleção brasileira em 1979, quando foi convocado para disputar um amistoso contra o Paraguai.
A partir desse instante, o craque corintiano passou a ganhar o status de ídolo nacional, ao mesmo tempo em que começou a se destacar também pela sua atuação política. Na primeira metade da década de 1980,  marcada pela reabertura política, o doutor Sócrates liderou, junto com outros jogadores e com o apoio do vice-presidente do clube, o sociólogo uspiano Adílson Monteiro Alves, a Democracia Corintiana, um movimento único na história do futebol brasileiro. Durante esse momento, todas as decisões que envolviam a equipe eram tomadas coletivamente, pois os jogadores, os funcionários e a comissão técnica deliberavam juntos as questões de interesse coletivo, tendo todos direito a voz e voto. Diante das estruturas conservadoras e patriarcalistas do futebol, a Democracia Corintiana teve um papel fundamental em um contexto histórico importante na história do Brasil. Sob a liderança de Sócrates, um clube de massa com forte apelo popular iniciou um processo de abertura, tornando-se exemplo para a abertura política no nosso país. Sua atuação política combatente se fez presente também na campanha pelas Diretas Já. Em um histórico comício no Anhangabaú, Sócrates condicionou sua permanência no país à aprovação da emenda Dante de Oliveira.

Dia do Fico: em comício histórico no Vale do Anhangabaú (SP),
 Sócrates afirma para quase 2 milhões de pessoas que ficaria
 no Brasil se as diretas fossem aprovada.

Quando assumiu essa postura diante de quase 2 milhões de pessoas, o Doutor abriu mão de um contrato na Itália, recusando uma proposta do time do Roma. Infelizmente, a emenda foi rejeitada e o Dr. Sócrates, decepcionado, acabou mesmo indo embora do Brasil. Uma nova proposta da Itália levou o craque para Florença, onde atuou pela equipe da Fiorentina. Mas Sócrates não se adaptou, e depois de pouco mais de 1 ano, 33 jogos e apenas 9 gols, voltou ao Brasil. Em seu país, jogou ainda pelo Flamengo e o Santos, encerrando sua carreira em 1989 no Botafogo-SP, onde tudo começou em Ribeirão Preto. Até a sua morte, Sócrates manteve uma postura política combatente. Sua voz faz falta, principalmente, nos dias de hoje, marcado pela corrupção e pelo mal uso do dinheiro público, que caracterizam uma verdadeira farra, justificada pela realização da Copa do Mundo, um evento que está longe de deixar qualquer legado para o povo brasileiro. Como uma forma de homenagear o nosso Dr. Sócrates, reproduzimos uma entrevista feita pela revista Placar com o craque brasileiro. Realizada pelo jornalista Juca Kfouri, essa entrevista foi publicada em uma edição histórica da revista. Na capa da Placar, imprimiu-se uma fotografia de Sócrates caracterizado como Dom Pedro, acompanhada da seguinte frase do Doutor: "Se o Brasil mudar, eu fico". Acompanhe a entrevista e a matéria, intitulada "O dia do fico do rei corintiano".