Mostrando postagens com marcador Copa do Mundo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Copa do Mundo. Mostrar todas as postagens

domingo, 30 de junho de 2013

Brasil 6 x 1 Espanha, uma goleada histórica no Maracanã pela fase final da Copa do Mundo de 1950

Copa do Mundo de 1950 - O atacante Ademir, um dos craques da seleção, 
marcando um dos dois gols que fez na goleada de 6 x 1 contra os espanhóis.

Antes da final da Copa das Confederações, as seleções brasileira e espanhola já haviam se enfrentado em uma competição oficial no nosso país. Foi em 1950, na Copa do Mundo, realizada então em terras tupiniquim, pela fase final do campeonato mundial de futebol. Essa foi a primeira competição depois da Segunda Guerra, que impediu a realização das edições de 1942 e 1946. Todos os outros campeonatos anteriores, disputados na década de 1930 (30, 34 e 38), foram realizados no continente europeu.
A crise que se instaurou na Europa do pós-guerra, notadamente destruída pelas conflitos, impossibilitou os países do velho continente de sediar a competição. Diante disso, o Brasil, que sob a presidência de Eurico G. Dutra adotava uma política econômica voltada para o desenvolvimentismo, se ofereceu para realizar o campeonato. Todo esse contexto fez com que a FIFA, sem muitas opções naquele momento, enxergasse a candidatura brasileira como alternativa para realização da primeira Copa do Mundo do pós-guerra.
Em virtude de algumas desistências, a competição foi disputada apenas por 13 seleções. A Alemanha não competiu porque ainda sofria as consequências do conflito, a Argentina havia brigado com o Brasil e, em protesto, não veio, já os indianos queriam jogar descalços, mas foram impedidos, por isso também desistiram. Diante disso, os organizadores tiveram que criar um novo regulamento. Resolveram, então, dividir os participantes em 4 grupos: os dois primeiros eram formados por quatro seleções, enquanto o terceiro tinha três e o quarto apenas duas equipes.

Ingresso do jogo Brasil e Espanha: fase final da 
Copa do Mundo de 1950.

O melhor colocado de cada grupo avançava para a segunda fase, que era uma especie de turno final, um quadrangular que definiria o grande campeão mundial de futebol. Brasil e Espanha se enfrentaram, justamente, nessa fase, onde disputaram o título com a Suécia e o Uruguai. A base da seleção brasileira era a equipe do Vasco da Gama, que tinha um grande time na época, conhecido como expresso da vitória. A equipe carioca, junto com o São Paulo, foram as que mais cederam jogadores ao escrete brasileiro.
Na partida contra a Espanha, o Brasil vinha embalado e empolgado, pois havia vencido os suecos na primeira rodada, por uma goleada estrondosa de 7 x 1. O confronto contra os espanhóis não deixava de ser decisivo, uma vitória deixaria a seleção brasileira muito próxima de um título inédito, visto como fundamental para superação do nosso estigma de vira-lata. Foi com esse espirito, que o nosso escrete entrou no recém construído estádio do Maracanã.
Embalado pela torcida, que nas arquibancadas cantava a marchinha Touradas em Madri, composta por Braguinha, um dos maiores compositores da música popular brasileira, nossa seleção aplicou mais uma goleada avassaladora. Com dois gols de Ademir (Vasco), um de Jair (Palmeiras), um de Chico (Vasco) e um de Zizinho (Bangu), o Brasil venceu os espanhóis por 6 x 1. Na sequência, a seleção brasileira enfrentou o Uruguai precisando apenas de um empate para conquistar o título. Mas o desfecho dessa história, todos nós conhecemos.

Brasil 6 x 1 Espanha - Os gols da seleção brasileira, que goleou os espanhóis
 no Maracanã pela Copa do Mundo de 1950.

domingo, 16 de junho de 2013

O verdadeiro Brasil da Copa - Jornal francês publica imagem da bandeira brasileira esfacelada por tiros.

Anúncio publicado no jornal francês L'Equipe - Bandeira do Brasil
 esfacelada por buracos de bala no lugar das estrelas brancas.

A imagem trata-se de uma propaganda da L'Equipe Magazine, revista encartada do jornal francês L'Equipe. O anúncio foi publicado essa semana pelo jornal, que utilizou essa imagem para divulgar uma edição especial sobre a Copa do Mundo e as Olimpíadas no Brasil. A revista chegou às bancas nesse último sábado (15), justamente no dia da abertura da Copa das Confederações.
Na capa da revista, a famosa imagem do Cristo Redentor com os braços abertos sobre a Guanabara, mas no anúncio a bandeira do Brasil cravejada de buracos de tiros nos lugares das estrelas. A edição especial, intitulada "Descubra a face escondida do Rio - Miséria, violência e corrupção", procura alertar os leitores franceses e europeus sobre o lado menos conhecido da Cidade Maravilhosa. Muita gente achou um exagero, um desrespeito com um símbolo nacional. Será? Infelizmente, acho que não. E é uma pena! Mas essa é a realidade do Brasil.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

A Copa das Confederações que não aparece na tv

Higienização
Em virtude da Copa das Confederações, mendigos foram removidos das ruas de BH por militares. Eles foram algemados e tiveram seus pertences jogados em um caminhão. A população que estava no local disse aos militares que se tratava de moradores de ruas, não de bandidos. Reclamaram, tentaram se revoltar, mas contra o porrete não existe argumentos.

Estado de Exceção
Atendendo ao governo de Minas Gerais, a justiça mineira proibiu qualquer tipo de manifestação nas ruas de BH durante a Copa das Confederações. Quem descumprir a ordem está sujeito a levar borrachada da PM, ser preso e ainda pagar uma multa de 500 mil reais. Mas o direito de protestar não é assegurado pela Constituição?

Faltou comida, sobrou revolta
Os corajosos voluntários que se dispuseram a trabalhar para a mamãe FIFA na Copa das Confederações ameaçaram parar suas atividades durante o ensaio de abertura do evento. Motivo: faltou comida! Eles reclamaram que ficaram exposto ao sol durante horas, sem sequer um lanchinho. Três pessoas passaram mal.

Nas áreas FIFA...
Os bares, restaurantes ou botecos localizados num raio de 2 km dos estádios (área FIFA) não poderão funcionar nos dias de jogo da Copa das Confederações. Toda propaganda de produtos que não são oficiais deverão ser retiradas desses estabelecimentos comerciais. Isso inclui as placas com os nomes dos estabelecimentos. É mole?

Você sabia que...
Durante a Copa das Confederações será proibido qualquer festa que possa concorrer com o evento da mamãe FIFA. Entidade máxima do futebol, chegou, inclusive, a proibir a festa de São João na Bahia. Dá pra acreditar?

Vergonha alheia
Na tarde dessa última quinta-feira (13), no Centro de Imprensa de Brasília, faltou material para o credenciamento dos jornalistas. O material utilizado para credenciar os profissionais de imprensa acabou. Como esse material veio de São Paulo, não tinha como repor. Isso causou o maior constrangimento. O pior foi a omissão. Nenhum responsável apareceu. Quem segurou o pepino foram os coitados voluntários, que nem sequer falavam inglês. Os jornalistas estrangeiros estavam indignados, revoltados. Imagina na Copa?

Mais um pouquinho de vergonha e desorganização
Primeiro foram os italianos que reclamaram da estrutura do local que lhes foram oferecidos para treinar. Segundo os bambinos, a organização não lhes havia alertado sobre a interdição do Engenhão. Pegos de surpresa, tiveram que treinar em um campo anexo ao estádio, menor e com um gramado duro. Os uruguaios também reclamaram. Desde que chegaram não sabiam ainda onde iam treinar. Não sabiam porque esse local não existia. Esses "mal entendidos" foram destaques na imprensa dos dois países.

Política de habitação
Na Cidade Maravilhosa, as famílias removidas a força de suas moradias receberão algo em torno de 10 mil reais de indenização. Mas o metro quadrado na cidade custa algo em torno 9 mil reais? As contas não batem!

quarta-feira, 12 de junho de 2013

A Caminho da Copa: a outra face dos megaeventos no Brasil

Os jornais anunciaram fartamente que o dia de hoje, 12 de junho, marca a contagem regressiva para o início da Copa do Mundo no Brasil. Para lembrar essa data, foi inaugurado um relógio, que faz uma contagem regressiva dos dias, horas, minutos e segundos que faltam para começar o mundial. Tudo isso foi mostrado, sobretudo, pela grande imprensa, com um clima de grande alegria e festa. O que foi omitido, no entanto, é a outra face da Copa do Mundo no Brasil. Na nossa contagem regressiva, mostraremos essa outra faceta, marcada pela truculência, violência, ilegalidade, descaso e perversidade.
Logo abaixo, postamos o documentário chamado A Caminho da Copa, dirigido por Carolina Café e Florence Rodrigues e desenvolvido pelo Ponto de Mídia Livre Pólis Digital. O vídeo mostra as remoções e desapropriações de comunidades pobres do Rio de Janeiro e São Paulo, em virtude de megaeventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas. O tema é discutido a partir de imagens e entrevistas, que objetivam mostrar contrapontos diferentes. Dentre os entrevistados estão Juca Kfouri (Jornalista), Raquel Rolnik (urbanista, relatora da ONU para direito a moradia), Toni Sandro de Oliveira (empresário), Vicente Cândido (deputado federal do PT, formulador da Lei Geral da Copa), Carlos Vainer (Prof. de Planejamento Urbano da UFRJ), Francicleide da Costa Souza, Maria Nilza Severo Franca, Alessandra da Silva Medom e Suely Afonso da Costa (moradoras das comunidades).
Os desmandos do poder público, a truculência e a violência da polícia, as desapropriações ocasionadas pela especulação imobiliária, os reassentamentos ou compensações financeiras ilegais impostas pelo estado. Tudo isso é tratado e denunciado por esse documentário, que mostra o verdadeiro significado dessa Copa do Mundo para o povo brasileiro.


A Caminho da Copa - trecho menor, resumido, do documentário.


A Caminho da Copa - documentário completo.

Brasil, 1 ano para a Copa. Catador de papelão desabafa e mostra qual a verdadeira face desse evento.

Catador de papelão desabafa e mostra a verdadeira face da Copa do 
Mundo do Brasil.

Há 1 ano da Copa do Mundo do Brasil, catador de papelão de uma das cidades sedes mostra o verdadeiro legado que esse evento terá para o povo brasileiro. Em seu desabafo, ele denunciou que os governos estadual e municipal de sua cidade proibiram que os catadores de papel trabalhem durante a Copa. Ele e outros, que vivem desse trabalho, digno como qualquer outro, não poderão trabalhar, nem tampouco circular, sobretudo, nos espaços próximos aos estádios, que estarão sob a tutela da mamãe FIFA.
A ideia do poder publico é higienizar as cidades. Os pobres, os excluídos, os que vivem em condições sub-humanas, não podem ser vistos nas ruas durante o evento. Afinal, o que os estrangeiros irão pensar do nosso país? Essa é a verdadeira face da Copa do Mundo no Brasil. Os únicos a ganhar com esse evento serão os políticos, as empreiteiras, a FIFA, os empresários e quem está de alguma maneira envolvido diretamente com o mundial. Ao povo restará pagar a conta!

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Maracanã, a destruição de uma obra tombada: um crime contra o patrimônio histórico e artístico nacional.

Estrutura arquitetônica original do Maracanã, em fase 
final de construção em 1950.

A demolição da marquise e das arquibancadas do Maracanã, denunciadas por uma reportagem, constituem um flagrante desrespeito com a nossa história, pois essas estruturas eram tombadas pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Como vimos (Maracanã, um caso flagrante de ilegalidade que envolve a demolição de uma obra tombada pelo IPHAN), a autorização concedida pelo ex-superintendente do órgão não tinha respaldo legal, pois somente o presidente da república pode autorizar intervenções de demolição/ mutilação dessa natureza, que constituem alterações características de destombamento.
Como historiador, não posso deixar de externar meu repúdio, minha profunda indignação. O Maracanã representa ou pelo menos representava, pois já foi demolido, um patrimônio material e imaterial, por isso foi tombado. Sua estrutura arquitetônica original contava não apenas a história do nosso futebol, mas também a história da arquitetura do nosso país, bem como representava um testemunho da nossa cultura e tradições.  Como parte importante da paisagem urbanística da cidade, o estádio sempre foi um dos principais pontos turísticos do Rio.
Da mesma forma que o Cristo Redentor ou outras obras tombadas, o Maracanã habitava o imaginário coletivo de brasileiros e estrangeiros, por isso sempre foi considerado uma das maiores expressões de nossa brasilidade. A traumática derrota na final de 1950, os clássicos como o Fla-Flu, a torcida do Flamengo e dos demais times cariocas, a festa popular dos geraldinos nas arquibancadas, a construção em concreto armado, verdadeira obra de arte da moderna arquitetura brasileira. Tudo isso foi apagado, demolido, expurgado, não para atender o interesse público, mas para beneficiar as empreiteiras, as empresas privadas e os políticos mal intencionados, que não medem esforços para atender as exigências da FIFA.

Reabertura do Maracanã: de expressão da cultura popular
 e de brasilidade a palco do Caldeirão do Huck. Não é 
difícil perceber a que interesses sua demolição atende.

Para atender tais exigências, que comprometem a nossa soberania, governantes irresponsáveis deformaram e mutilaram completamente o Maracanã, transformando-o em um estádio comum, igual ou similar a todos os outros que seguem o padrão FIFA. Toda a sua monumentalidade, sua especificidade, seu caráter único, que justificaram, inclusive, o seu tombamento, foi trocado por um padrão que uniformiza, desrespeitando vários aspectos históricos e culturais de nossa sociedade. A bem da verdade, tudo isso faz parte de um projeto político, que tem por objetivo final a elitização e a higienização dos estádios. Não sejamos ingênuos, o conceito de "arena", importado ou macaqueado dos gringos, escamoteia uma situação perversa: a expropriação do futebol brasileiro, que com isso perderá cada vez mais a sua dimensão de expressão popular.
Esse verdadeiro descalabro merece uma resposta a altura, não apenas por parte dos profissionais responsáveis pela preservação do nosso patrimônio, cultura, história e memória (arquitetos, historiadores, antropólogos, entre outros), mas também por parte do próprio poder público (Ministério Público e Justiça Federal e Estadual), bem como da sociedade civil. Particularmente, como historiador, espero ainda que os meus pares se manifestem sobre esse ato ilegal e irresponsável.
Penso que entidades como a ANPUH (Associação Nacional de Professores Universitários de História) e o IHGB (Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro), bem como todas as suas respectivas seções regionais e estaduais, têm o dever e a obrigação de se pronunciar sobre a demolição de uma obra tombada, que possui  inestimável valor histórico. Os historiadores, tanto individual quanto coletivamente, não podem se calar diante desses fatos. Precisam se opor a essa ilegalidade, denunciando e divulgando, através de notas oficiais das entidades que os representam, mas também individualmente, utilizando as redes sociais. Somente assim estaremos cumprindo o nosso papel social, que relaciona-se com a preservação da nossa história e da nossa memória.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Maracanã, um caso flagrante de ilegalidade que envolve a demolição de uma obra tombada pelo IPHAN.

Uma reportagem investigativa veiculada pela ESPN denunciou irregularidades seríssimas, que envolvem os governos estadual e municipal do Rio de Janeiro, o governo federal e o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). O "Dossiê Maracanã", elaborados pelos combativos e militantes jornalistas Lúcio de Castro e Gabriela Moreira, revelou que a obra no estádio é ilegal, pois trata-se de uma construção tombada, que foi escandalosamente alterada, sem seguir os tramites legais.
O responsável por essa aberração foi o sr. Carlos Fernando de Souza Leão Andrade, que é funcionário do Estado do Rio de Janeiro, mas na época (2011) ocupava o cargo federal de superintendente do IPHAN. Quando autorizou a demolição da marquise e das arquibancadas tombadas, o ex-superintendente, que é arquiteto, tinha matricula na Secretaria de Obras do Rio de Janeiro, órgão estadual interessado e beneficiado com essa autorização. Um escandaloso e flagrante conflito de interesse! Hoje, esse funcionário ocupa um cargo comissionado em outra secretaria e recebe um salário de 10 mil reais.
Além do conflito de interesse, passível de críticas e investigação, essa decisão de autorizar a demolição de um patrimônio histórico e artístico nacional é eminentemente ilegal, pois é fruto de uma atitude arbitrária e unilateral. Para se ter uma ideia do absurdo, essa autorização foi concedida sem o conhecimento do Conselho Consultivo do próprio IPHAN. Quanto a isso, vale muito a pena ler a ata de reunião desse conselho, publicada na integra pela reportagem (Dossiê Maracanã). Esse documento revela a indignação da esmagadora maioria dos conselheiros, que mostram-se verdadeiramente estarrecidos com esse "modus operante".

Maracanã depois das demolições ilegais que alteraram a 
marquise (cobertura) e as arquibancadas do estádio.

De acordo com a legislação, somente a Presidência da República possui prerrogativas para autorizar alterações dessa natureza, que representa um destombamento do estádio, um ato privativo do presidente do país. O Ministério Público Federal interpôs recurso jurídico, mas a Justiça Federal, atendendo ao governo do Rio, concedeu uma liminar autorizando o prosseguimento das obras. A questão ainda está na justiça, aguardando decisão final. As áreas tombadas, por sua vez, foram demolidas e o estádio já está praticamente  terminado. O argumento é o mesmo: não podemos esperar, não podemos perder tempo, pois temos que atender as exigências da FIFA. E dane-se a nossa história, nossa cultura, nosso patrimônio, nossa memória!
Diante disso, muitas explicações precisam ser fornecidas a sociedade brasileira. Primeiramente, Dilma, a presidenta, tem obrigação de se pronunciar sobre esse caso, afinal, essa autorização de destombamento (demolição de um patrimônio histórico e artístico) cabia somente a presidência. Se ficar calada, estará sendo cúmplice ou no mínimo omissa com essa ilegalidade, que feriu, inclusive, uma prerrogativa que lhe pertencia. Quem também deve muitas explicações é o governo do Rio de Janeiro: como um funcionário estadual ocupou um cargo federal que lhe permitiu conceder essa autorização ilegal? Isso não demonstra um conflito de interesse? Se essa autorização era ilegal, porque o governo do Rio aceitou esse documento? Por que entrou na justiça para respaldá-la? Tudo isso precisa ser explicado, pois a nota que o governo estadual divulgou hoje é muito pouco esclarecedora.
Da mesma maneira, o IPHAN precisa se pronunciar. Como o sr. Carlos Fernando (arquiteto/ funcionário do Estado do Rio) chegou a superintendência desse órgão? Como a sua autorização ilegal não passou pelo conhecimento do Conselho Consultivo da entidade? A Justiça Federal também deve algumas explicações: se a suposta autorização era ilegal, por que concederam liminar ao governo do Rio?
O caso é grave, por isso pode muito bem ser considerado mais um dos muitos escândalos dessa Copa do Mundo. Infelizmente, como estamos no Brasil, não creio que seja levado a sério. Tenho certeza que os responsáveis não serão penalizados. Na verdade, os mesmos nem se darão o trabalho de explicar nada! Em nosso país, o poder público age assim. Para atender seus interesses, o sistema passa por cima de tudo e de todos. Nem a legalidade é capaz de pará-los! Nosso passado, então, é totalmente desconsiderado, não tem o mínimo valor, pois, sem nenhum tipo de pudor, é apagado para atender interesses privados que não contemplam as expectativas, nem tão pouco as necessidades e os interesses do povo brasileiro.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Um país sem memória, um país sem história. Estádio de Brasília custará 1,2 bilhões de reais, mas não poderá mais levar o nome de Mané Garricha por causa de exigência da FIFA.

Garrincha contra os soviéticos em 1958. Antes da partida, os russos afirmaram
 que usariam um esquema tático preparado por um programa de computador
 para parar o Mané. Nosso anjo das pernas tortas destruiu o esquema
 dos camaradas do CCCP.

Em se tratando de Copa do Mundo no Brasil, os desmandos, desrespeitos e situações vexatórias não param de se suceder, em episódios que beiram o verdadeiro absurdo. Essa semana, a FIFA anunciou que o estádio Mané Garrincha, reconstruído para a Copa, não poderá mais levar o nome de um dos maiores craques do nosso futebol, que é também um dos maiores gênios do futebol mundial. Os donos do evento, que a bem da verdade mais parecem os donos do Brasil, argumentaram que o nome do ex-jogador não tem consistência, além de ser de difícil compreensão para os gringos. Dá pra acreditar?
O mais revoltante é nossa obediência servil, própria de um povo colonizado e subserviente. Alugamos o nosso país para uma entidade corrupta, que enfrenta uma série de denuncias, mas mesmo assim demonstra uma ingerência verdadeiramente assustadora no nosso país. Talvez, isso ocorra porque estejamos acostumados com a corrupção! É triste, mas é verdade.
Essa não é a primeira exigência esdrúxula que a dona FIFA impõe ao Brasil. As baianas foram proibidas de vender acarajé dentro e fora da Fonte Nova, da mesma forma que os mineiros não poderão comer o tradicional tropeiro, o famoso tropeirão do Mineirão, reconhecido pelos torcedores como um dos melhores de Belo Horizonte. Tudo isso está acontecendo com a conivência das autoridades brasileiras, que aceitam pacificamente todas essas exigências que atacam a soberania nacional, além de ir de encontro aos interesses da população.

Autoridades subservientes de uma país sem vergonha e sem memória.
 O estádio de Brasília custará 1,2 bilhões de reais aos cofres públicos,
 mas, por exigência da FIFA, não poderá levar
 o nome de Mané Garrincha.

Não tem como negar! Essa Copa no Brasil não passa de uma feira de negócios, montada com dinheiro público, mas organizada pela FIFA, que lucrará bastante com essa competição. Mas tudo isso ainda é pouco para esses cartolas estrangeiros que pretendem retirar o nome de Garrincha do estádio de Brasília. Com suas exigências, eles atacam nossa história, nossa memória, nossa cultura, nossos costumes e tradições. O governador do Distrito Federal não se mostrou chocado, por isso não colocará empecilhos para atender a FIFA. Ao contrário, o eminente político até já andou mexendo uns pauzinhos para que a mudança de nome ocorra sem nenhum problema.
Meus amigos, o fato é que Mané Garrincha representa muito mais do que um simples nome, é muito mais do que um simples jogador. É um patrimônio cultural! E como tal, remete-nos as nossas memórias, costumes, imaginário, cultura, história... O Mané conquistou dois títulos mundiais, sendo que em um deles, a Copa de 62, ganhou praticamente sozinho. Com outros célebres jogadores brasileiros, ele ajudou a quebrar o estigma de vira-lata, que nos marcava como uma chaga. Não, mil vezes não... O Mané não merecia isso! Nós não merecíamos isso! Mas, me digam. Podíamos esperar algo diferente? Infelizmente, acho que não, pois estamos diante de autoridades subservientes, de uma população apática e de uma país sem memória, que não valoriza a sua própria história.

sábado, 30 de março de 2013

Estádio novo, problemas velhos. Tumulto, violência e truculência na venda de ingressos para o Ba-vi que inaugurará a Fonte Nova.

O estádio é novo, mas os problemas são velhos. No novo estádio 
da Fonte Nova torcedor continua sendo tratado como 
gado, como bandido, não como consumidor.

A manhã dessa Sexta-Feira Santa foi marcada por tumultos e muito corre-corre em Salvador. Inacreditavelmente, o sururu ocorreu durante a venda de ingressos para o clássico Ba-Vi, que inaugurará o novo estádio da Fonte Nova, também (re)construído para a Copa do Mundo do Brasil. As entradas para o jogo estavam sendo vendidas nas bilheterias da "nova Arena", que deveria representar uma nova fase do futebol brasileiro. Pelo menos, foi isso que as autoridades disseram pra gente para justificar a realização de uma Copa em nosso país. O tal do legado! Esse foi mais um dos argumentos usados para legitimar o evento da FIFA, que está muito longe de ajudar a resolver as mazelas que habitam o nosso futebol, da mesma forma que está muito longe de representar os verdadeiros interesses da sociedade brasileira.
As imagens são verdadeiramente vergonhosas. Torcedor tratado como gado, como bandido! Bomba de gás  lacrimogênio, spray de pimenta, cacetete, chutes e socos. Tudo muito feio! Como nos propomos a realizar uma Copa do Mundo, se não conseguimos nem vender ingressos? Pela internet, as vendas mal começaram e o site saiu do ar, não aguentou a quantidade de acessos. Nas bilheterias do novo estádio, muita desorganização: filas sem o mínimo de organização, desrespeito, falta de educação, truculência, dentre outras coisas. Mostramo-nos ser incapazes de oferecer algo básico, não conseguimos organizar minimamente uma partida de futebol. É realmente muito constrangedor! Com a realização da próxima Copa e Olimpíada no Brasil, os olhos do mundo estão voltados para o nosso país. Essas imagens, assim como a interdição do Engenhão, entre outras notícias vergonhosas, certamente circularam por todo o planeta. Mais um vexame que mancha a imagem do Brasil perante os demais países do mundo.

Isso é o Brasil! Vamos realizar uma Copa, mas não 
conseguimos vender ingressos.

Contraditoriamente, os defensores da Copa no Brasil diziam que a realização do evento serviria mostrar ao mundo as nossas capacidades empreendedoras. A ideia era demonstrar que estamos preparados, somos organizados, civilizados, um país emergente, com economia crescente e estável, quase desenvolvidos, praticamente primeiro mundo. Mas o tiro saiu pela culatra! Que ironia, que vergonha. Somente os ingênuos, os tolos, os patriotas vazios e os mal intencionados realmente acreditaram nessa falácia, nesse discurso ideológico, que objetivava, na verdade, escamotear a farra, a derrama, o desperdício do dinheiro público. Quanto a isso, as denuncias se sucedem, os escândalos não param: superfaturamentos, desvios de recursos, fraude nas licitações, orçamentos estourados, obras atrasadas, violência nos estádios, desorganização, e por ai vai. É isso que estamos mostrando para todo o mundo. Essa é a nossa verdadeira cara, a verdadeira imagem que passamos ao mundo.
Construído em regime de PPP (Parceria Público Priva), a Fonte Nova estava orçada inicialmente em 591,7 milhões, mas seu custo final não saíra por menos de 688,7 milhões de reais. Dentre os 12 estádios construídos para Copa, esse é o 5° mais caro até o momento. Segundo os responsáveis, o pequeno aumento de 97 milhões de reais deveu-se ao acréscimo de 8 itens aditivos, incorporados para atender "novas exigências técnicas da FIFA". Mas a entidade máxima do futebol não já tinha aprovado o projeto inicial? Ela já não tinha conhecimento do projeto? Por que essas exigências não foram feitas ainda na fase de orçamento? Por que elas só foram feitas durante a execução do projeto, justamente durante a construção? Tudo isso deveria ser esclarecido, afinal tem muito dinheiro público nesse montante de quase 700 milhões de reais. Mas não será, pois estamos no Brasil, por isso tudo acabará em pizza. Não adianta termos estádios novos, mas permanecermos com as mesmas práticas. Sozinho, a construção dos estádios não refletirão as mudanças tão almejadas, desejadas e esperadas para o futebol e para a sociedade brasileira.

Imagens muito feias, verdadeiramente vergonhosas. Os olhos 
do planeta voltam-se para o Brasil, que cada vez mais 
mancha sua própria imagem perante o mundo.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Brasil, mostra a tua cara! Após consumir quase 700 milhões de reais, Mineirão apresenta falhas no acabamento meses depois de sua inauguração.

O mal acabamento de um Mineirão que custou quase 700 milhões
 de reais (Fotos retiradas do blog do Juca Kfouri)

Os escândalos, desmandos, descasos, superfaturamentos, fraudes nas licitações e demais falcatruas não param de aparecer quando o assunto é construção de estádios para a Copa do Mundo do Brasil. Essa semana, o jornalista Juca Kfouri revelou em seu blog (O acabamento do Mineirão) fotos estarrecedoras, verdadeiramente vergonhosas, que mostram falhas no acabamento do Mineirão. É realmente inadmissível! Como pode um estádio, inaugurado há apenas alguns poucos meses, que custou 695 milhões de reais, apresentar problemas grotescos como os que aparecem nessas imagens? Mais revoltante é saber que inicialmente essa obra havia sido orçada em 400 milhões de reais. Mas no Brasil, sabe como é né? Durante a construção os valores foram mudando. Coisa pouca, dinheiro pouco, merreca, troco do café. E assim, o que era 400 virou 607, depois 677, que também foram insuficientes, pois a conta final chegou a quase 700 milhões de reais!
Desde a sua (re)construção, o Mineirão foi alvo de investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal (Procuradoria da República de Minas Gerais), que denunciaram várias irregularidades. Nada de grave! O mesmo de sempre! suspeitas de superfaturamento, desvio de recursos públicos, inexistência de licitação, improbidade administrativa, e por ai vai (veja o link que se segue mostrando as investigações e denuncias relacionadas ao Mineirão). Na construção dos demais estádios a coisa não muda muito. As denuncias se repetem! Mas alguém vai ser responsabilizado por isso? Provavelmente não! Por isso, a derrama de dinheiro público continuará. A interdição do estádio do Engenhão, fechado por conta de problemas estruturais na sua cobertura, é o carro chefe dessa vergonha nacional e internacional. É duro, mas é verdade. O grande legado do Pan de 2007, que custou 380 milhões de reais, pode desmoronar. E assim vamos nós. E a Copa?
A Copa! Para justificar a sua realização, os políticos, os empresários, em uma palavra, os poderosos, elaboraram as mais diversas falácias. Diziam eles: "essa será a Copa da iniciativa privada"; "o evento trará enormes lucros para o Brasil"; "nosso país ganhará inúmeros legados que beneficiarão toda a população";"essa é a chance de mostrar para o mundo que somos capazes, oportunidade única de mostrar quem somos, demonstrar o nosso valor, nosso empreendedorismo". Realmente, não tem como contestar, não dá para discordar. Essa gente poderosa tem razão! Estamos verdadeiramente mostrando ao mundo quem somos e do que somos capazes. Sem nenhum pudor, exibimos nossa verdadeira face, notadamente marcada pela corrupção, pela cultura do cambalacho, pela falta de responsabilidade e respeito com a coisa pública. Mas não pára por ai, o prazo vai para além de 2014. Isso significa que as nossas grandes "capacidades" ainda poderão ser exibidas ao mundo por mais alguns anos. Afinal, ainda temos as Olimpíadas de 2016. Como diz Galvão Bueno, narrador da Globo, que com o seu silêncio não deixa de compactuar com tudo isso:"É amigo... Haja coração!"

Viva essa energia! Viva essa alegria! Viva a farra do dinheiro público! Com problemas estruturais, Engenhão é interditado. Imagina na Copa, imagina nas Olimpíadas!

Viva essa energia! Mascote dos Jogos Pan -Americanos - Rio 2007

No final da tarde dessa terça-feira, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, convocou uma reunião as pressas com os presidentes dos 4 principais clubes da cidade para informar que o Engenhão seria interditado. De acordo com o político, o consórcio responsável pela execução da obra constatou que a cobertura do estádio tinha problemas estruturais. Construído para os Jogos Pan-Americanos de 2007, o Engenhão custou 380 milhões de reais, valor seis vezes maior do que estava previsto no orçamento inicial, que orçava a obra em 60 milhões de reais.
É vergonhoso, escandaloso, embaraçoso, criminoso, algo realmente constrangedor, que causa-nos verdadeiro escárnio. Como pode um estádio com pouco mais de 6 anos de uso apresentar problemas na sua estrutura? A obra não deveria ser o maior legado do Pan? Como pode um "legado" que custou tão caro apresentar problemas graves em tão pouco tempo? Com a palavra os gestores responsáveis, ou seria melhor chamá-los de irresponsáveis? Mas eles vão falar? Muito provavelmente não. A não ser que sejam chamados para fazer isso em juízo. Mas no Brasil? Com a justiça brasileira? Dependendo do senso de indignação do brasileiro? Dependendo da vontade dos políticos? É certo. Vai acabar em pizza!
Se isso aqui fosse um país realmente sério, tudo isso deveria ser apurado e os responsáveis punidos. Se fosse sério! Então, o ex-prefeito Cesar Maia, seu secretário de esportes Eduardo Paes (atual prefeito do Rio), Carlos Nuzman (presidente do COB), os engenheiros, as construtoras e todos os demais responsáveis pela execução da obra deveriam responder por tudo isso. Como uma obra que custou 6 vezes mais do que o valor previsto pode apresentar problemas estruturais tão graves?

Revolta, mas também causa vergonha alheia: Arnaldo Antunes cantando
 "viva essa energia!", tema dos jogos Pan-Americanos do Rio 2007.

Se fosse sério, o Ministério Público estadual e federal deveriam chamar todos os envolvidos para prestar esclarecimentos. Deveria investigar os possíveis e prováveis superfaturamentos, tão denunciados já desde a época da construção. Em relação a isso, será que não temos motivos suficientes para desconfiar? Temos. E temos muitos! Basta atentarmos para o fato de que a Delta "venceu" a licitação e assumiu as obras de construção do Engenhão. Para quem não lembra, a Delta é a mesma empresa que envolveu-se com o contraventor Carlinhos Cachoeira. É a mesma que foi investigada por fraudes em licitações, superfaturamento de obras públicas, etc, etc, etc. Durante a execução das obras, a Delta abandonou a construção, alegando, justamente, que não tinha capacidade de tocar a cobertura da obra.
As pressas, esses nossos gestores assinaram um contrato com a OAS e a Odebrecht, que assumiram a obra, mas deixaram claro que não se responsabilizariam por eventuais erros no projeto. Agora pergunto: e de quem é a responsabilidade? As falhas estruturais decorrem de erros do projeto ou da construção? Muitas são as perguntas que esperam por respostas. O fato é que praticamente todas as obras construídas para o Pan não foram aproveitadas, não deixaram legado a população. Muitas viraram elefantes brancos, foram sucateadas ou simplesmente estão sendo destruídas ou reconstruídas. Para que? Para as Olimpíadas do Rio de Janeiro de 2016. Diante disso, não posso deixar de lembrar dos estádios da Copa do Mundo de 2014. Inevitavelmente, não posso deixar de parodiar um famoso comercial, dizendo o seguinte: "imagina depois da Copa!" Imaginou? Agora, "imagina depois das Olimpíadas!"

Ps. Indico a leitura dos blogs dos jornalistas PVC  e Lúcio de Castro, que trazem ótimas informações e comentários sobre o assunto. Lúcio de Castro foi quem, inclusive, postou esse vídeo que reproduzo abaixo.

Feras da engenharia. Esse é o título desse documentário da Discovery,
 feito com intuito de engrandecer a obra. No entanto, já é possível
 observar no vídeo os problemas na construção da cobertura,
 relatados pelos próprios engenheiros.