sábado, 31 de agosto de 2013

Agora é pra valer... Botafogo-PB e Central pelas oitavas da Série D. Conheça à história desse confronto!


Depois de terminar na primeira colocação no grupo A4, o Botafogo-PB iniciará a fase decisiva do Brasileirão da Série D enfrentando o Central (Caruaru-PE), que conseguiu classificar-se com um segundo lugar na sua chave. Os clubes nordestinos medirão forças em dois confrontos decisivos pelas oitavas de finais da competição, que chegou, finalmente, a fase de mata-mata. A partir de agora, apenas 4 jogos separam os times que continuam na disputa pelo acesso, pois todos os que chegarem as semifinais se classificarão automaticamente à Série C.
O primeiro confronto será no Lacerdão (01 Set., 16h), já a partida decisiva, o jogo da volta, ocorrerá no Almeidão, no próximo final de semana (08 Set., 16h). Essa será a primeira vez que os dois times se enfrentarão em jogos de mata-mata, apesar de não ser o primeiro confronto entre as equipes, que já se enfrentaram antes em algumas edições anteriores do Campeonato Brasileiro. A história desse confronto mostra equilíbrio: em 4 jogos, duas vitórias para cada uma das duas equipes, com 8 marcados pelo time paraibano e 7 pelo clube pernambucano.
A última partida entre as equipes aconteceu em 2000, pela fase grupos do Módulo Verde da Copa João Havelange (Série C do Brasileirão). O jogo terminou com a vitória do Central, que em casa ganhou do Botafogo-PB por 2 x 1. Nenhum dos dois times nunca venceu jogando na casa do adversário, portanto, fora dos seus domínios. Esse será um desafio a mais para o time paraibano, que terá de lutar também contra esse tabu para continuar avançando no campeonato em busca do acesso à Série C.

Lista de jogos:

Campeonato Brasileiro - Série A
Central 2 x 1 Botafogo-PB (Fase de Grupos - 1979)

Campeonato Brasileiro - Série B (Taça de Prata)
Botafogo-PB 2 x 1 Central (Fase de Grupos - 1981)

Campeonato Brasileiro - Série C (Copa João Havelange - Módulo Verde)
Botafogo-PB 3 x 1 Central (Fase de Grupos - 2000)
Central 3 x 2 Botafogo-PB (Fase de Grupos - 2000)

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Futebol com Maconha - o Puxa Firme F. C. de Stanislaw Ponte Preta


Stanislaw Ponte Preta é, na verdade, o pseudônimo do jornalista e escritor carioca Sérgio Porto, que nasceu em 1923 e morreu em 1968. Iniciou sua carreira jornalistica em 1949, depois de ter trabalhado como bancário durante 15 anos. Começou escrevendo para a revista Sombra, mas posteriormente também colaborou com jornais como a Última Hora e o Diário Carioca, onde passou a utilizar o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta. Apesar de sugestivo, o pseudônimo escolhido não guarda nenhuma relação com o clube da Ponte Preta, time de futebol de Campinas.
Sérgio Porto, na verdade, inspirou-se em Serafim Ponte Grande, personagem satírico criado por Oswald de Andrade. O pseudônimo era utilizado, sobretudo, para ironizar os cronistas sociais de sua época, que para o escritor assumiam uma importância nem um pouco merecida. Ao longo de sua carreira, escreveu para uma série de revistas e jornais importantes, tendo trabalhado ainda em diversas emissoras de rádio e televisão. Simultaneamente, dedicou-se a atividades artísticas, produzindo críticas ou desenvolvendo trabalhos na área da música, teatro ou literatura.
Foi trabalhando nos jornais e nas rádios que começou a desenvolver sua faceta de comentarista e cronista esportivo. Suas crônicas e comentários carregavam a marca da ironia e do bom humor, que misturava-se a uma linguagem que era ao mesmo tempo pomposa, coloquial, descontraída e irreverente. Tudo isso fez com que desenvolvesse um estilo bastante particular, mesclando a crônica humorística à criação literária.

Sérgio ou Stanislaw trabalhando em sua "intimorata Remington",
 como chamava sua máquina de escrever.

Mas para Sérgio Porto, o futebol estava longe de representar apenas um tema para suas crônicas e comentários esportivos. Desde muito jovem praticava esportes. Chegou a integrar, inclusive, em 1944, a equipe de voleibol do Fluminense, seu time do coração. O futebol sempre foi uma de suas maiores paixões. Como nunca foi muito habilidoso, jogava de goleiro nas peladas que batia com os amigos no Rio de Janeiro. Desde a infância, jogava em qualquer lugar: campos de terra, grama e areia, passando, inclusive, pelos campinhos de futebol de botão.
No entanto, apesar da paixão pelo esporte, sua maior contribuição no futebol foi mesmo no campo da literatura esportiva. Grande parte desse legado foram reunidos em livros como Bola na Rede: a Batalha do Bi e Gol de Padre e Outras Crônicas, entre outras coletâneas, que publicaram alguns dos seus melhores textos sobre o esporte. Logo abaixo, reproduzimos uma das crônicas de Sérgio Porto ou Stanislaw Ponte Preta. O título é bastante peculiar, diria que para alguns também não deixa de ser bastante sugestivo. A crônica, intitulada Futebol com Maconha, narra a história de um jogo muito divertido e engraçado entre o Puxa Firme F. C. e o time do padre Evaldo. Vale a pena ler... confiram!

Coletânea de textos em que foi publicado a 
crônica destacada na postagem.


Futebol com Maconha

Tem cara que é tricolor, tem cara que é vascaíno; uns torcem pelo Flamengo, outros pelo Botafogo. Mas, Primo Altamirando tinha que ser diferente: o miserável me confessou noutro dia que é torcedor do Puxa Firme F. C., Sociedade Recreativa do Morro do Queimado. Aliás, essa história foi ele que me contou.
Diz que dos 22 jogadores, mais técnico, massagista, enfermeiro do Puxa Firme, não tem um que não seja apreciador da erva maldita. O preparo físico do time se resume numa rápida concentração, para puxar maconha. Em véspera de jogo a janela da sede, que fica no sobrado de um botequim, parece até incêndio: como sai fumaça! No sábado passado, o técnico do time - um tremendo crioulo que atende pelo vulgo de Macarrão - deu o grito:
__ Olha cambada, amanhã nós tem que jogar comportado. Nós vai enfrentar o time do padre Evaldo e é em benefício da igreja.
Como Macarrão é muito respeitado ninguém chiou e no dia seguinte, no telheiro do campo, que a turma apelidou de vestiário, o time uniformizado contava com: Dentinho, Macaxeira, Bom Cabelo, Pau Preto e Lamparina; Melodia e Fubecada; Chaminé, Praga de Mãe, Porém e Parecido (tudo apelido, inclusive Parecido, porque fazia um sorriso igual ao do senhor Juraci Magalhães - político baiano - sempre que acertava um). Macarrão deu as instruções e perguntou:
__ Argum problema?
Lamparina levantou o dedo e perguntou:
__ Que tipo de marcação que a gente vai usar?
Macarrão pegou um papel de embrulho e deu uma de técnico formado. Traçou uns riscos e disse:
__ Marquemo por zona. É mais melhor.
O time saiu pro campo e com cinco minutos a turma do padre já tava dando de goleada. Macarrão berrava as instruções cheio de ódio. "Não intrapaia os beques, crioulo nojento". "Oia a marcação, desinfeliz". "Pára de fumar, Dentinho". E o time do padre fazendo gol.
Quando já tava uns cinco a zero, Porém fingiu que marcava, chegou perto do telheiro e quis saber de Macarrão se podia apelar.
__ Apela pra sua mãe, sem-vergonho. Tá levando come aí pra todo lado. Arrespeita o time do padre, que é tudo gente dereita.
Diz primo Altamirando que o Puxa Firme F. C. quando joga respeitando o adversário perde metade de sua estrutura técnica. O jogo acabou 8 x 0 e o piedoso sacerdote estava todo satisfeito, tendo mesmo se dado ao trabalho de ir cumprimentar o crioulo Macarrão, pela lisura com que seus atletas se comportaram durante a refrega.
__ Parabéns, senhor Macarrão - disse o padre. - Certas derrotas têm o gosto da vitória. Seu time jogou com muita esportividade. Só não entendi por que jogaram com dez.
__ Com dez??? - estranhou Macarrão. - Como é que eu não arreparei?
Foi aí que Melodia, que era o capitão do time, esclareceu?
__ Pois é, o Lamparina não jogou. O senhor foi falar aí em marcação por zona. Sabe como é o Lampa. Não pode ouvir falar em zona que ele vai pra lá.

sábado, 20 de julho de 2013

O centenário de um Cruzeiro menos famoso, mas não menos glorioso. Um breve histórico sobre os 100 anos do Estrelado de Porto Alegre.

Escudo do E. C. Cruzeiro de Porto Alegre

Ao longo de todo esse ano de 2013, vários clubes brasileiros completaram ou ainda completarão 100 anos de existência. Nesse mês de julho, o aniversariante que chega ao centenário é o Cruzeiro. Não o mais famoso, o mineiro da cidade de Belo Horizonte, mas um mais antigo, que mesmo sendo mais desconhecido, não deve ser considerado menos glorioso. Trata-se do Cruzeiro de Porto Alegre, que foi fundado em 14 de julho de 1913.

Fundação
O clube surgiu da iniciativa de 18 jovens que, numa noite fria de inverno portoalegrense, reuniram-se no prédio do antigo Cine Ópera para fundar um clube de futebol, esporte que havia chegado há pouco tempo na cidade, mas que já tinha um grande apelo entre os mais novos. Dos dezoito fundadores, cinco tinham ligações com Sport Clube Internacional. Na verdade, tratava-se de um grupo de torcedores, que estavam descontentes com a condução do time Colorado. Insatisfeitos, juntaram-se a outros jovens para fundar seu próprio clube de futebol.
A principio, o novo clube seria batizado com o nome de 14 de julho, referencia ao dia de sua fundação, mas um dos seus fundadores sugeriu que fosse chamado de Cruzeiro, em alusão a constelação Cruzeiro do Sul. Esse nome, que tem como símbolo as cinco estrelas da constelação, teria sido sugerido por conta da ligação que os cinco integrantes fundadores tinham com o Internacional. Diferente de alguns outros clubes, o Cruzeiro tem uma origem mais elitista. Desde a sua fundação, esteve ligado aos intelectuais, a pessoas de esquerda e a estudantes.

Os clássicos com o Inter e o Grêmio e os títulos citadino e estadual
Durante décadas, o Cruzeiro permaneceu como terceira força do futebol gaúcho, rivalizando tanto com o Grêmio quanto com o Internacional, clubes mais antigos, fundados, respectivamente, em 1903 e 1909. Jogando contra os seus rivais, protagonizava o Gre-Cruz e o Inter-Cruz, jogos que, junto com o famoso Gre-Nal, estavam entre os clássicos da capital gaúcha.

Estádio da Montanha, 1959 - Clássico Inter-Cruz. Goleiro Irno sai do 
gol para interceptar cruzamento. O jogo terminou empato por 1 x 1.

Dentre os títulos do Estrelado (nome carinhoso dado pela torcida), os mais importantes foram o campeonato gaúcho (1929) e o tricampeonato portoalegrense (1918, 1921 e 1929), conquistados por um time formado basicamente por estudantes universitários e alunos da Escola Militar de Porto Alegre. Até 1917, o Campeonato Citadino ou Portoalegrense era a única competição oficial disputada na capital gaúcha. O campeonato estadual começou a ser disputado apenas em 1919, por iniciativa da recém criada Federação Rio-Grandense de Desportos.

Taça do Campeonato Gaúcho de 1929. Maior 
conquista da história do Estrelado.

Nessa época, o Campeonato Gaúcho era disputado por regiões. Somente o campeão da cidade de Porto Alegre e os clubes representantes de outras regiões do estado podiam disputar o estadual. Essa fórmula de disputa durou até 1960, no ano seguinte, a competição passou a ser disputada pelos principais times da capital e do interior. Isso valoriza ainda mais os títulos conquistados pela equipe cruzeirista. Numa época em que não existiam competições nacionais, o campeonato da capital e o estadual tinha um peso e uma importância muito grande.

O Estádio da Montanha
Em 1941, o Estrelado da capital gaúcha inaugurou o Estádio da Montanha, um dos mais completos e modernos do país. O primeiro estádio do clube havia sido a Vila Cruzeira, onde jogou até 1920. Em seguida, mudou-se para o Caminho do Meio, uma nova casa, onde permaneceu mandando seus jogos por mais de 18 anos.

Convite de inauguração do Estádio da Montanha.


Fachada da entrada das sociais do antigo Estádio da Montanha.

Na inauguração do novo estádio, no dia 6 de março de 1941, o Cruzeiro enfrentou o São Paulo em uma partida amistosa, vencida pelo alvi-azul por 1 x 0, gol de Gervásio, que assinalou o primeiro gol da Colina Melancólica, nome pelo qual também ficou conhecido o campo do Estrelado. O estádio foi o primeiro do Rio Grande do Sul com túnel de acesso do vestiário para o gramado, além do mais, tinha capacidade para 20.000 expectadores. Já na inauguração, todos esses lugares foram ocupados pela torcida cruzeirista, que fez uma grande festa diante da vitória sobre o tricolor paulista.

Cruzeiro 1 x 0 São Paulo - Lance do jogo amistoso, que inaugurou
 o Estádio da Montanha, em 1941.

Torcedores cruzeirista lotam as sociais do Estádio da Montanha 
na inauguração contra o São Paulo.

Campo de jogo do Estádio da Montanha, batizada também de
Colina Melancólica pelos torcedores.

O Cruzeiro entre as décadas de 1940 e 1970: mais títulos e a contratação de um técnico húngaro
Entre as décadas de 1940 e 1960, o clube voltou a conquistar alguns títulos de menor importância, como torneios e taças disputadas em âmbito local e estadual. Em 1943, por exemplo, ganhou o Torneio Início, a Taça da Cidade e o Campeonato Extra de Porto Alegre. Quatro anos depois, ou seja, em 1947, voltou a ser campeão da Taça Cidade de Porto Alegre, enquanto nos anos de 1951 e 1962 conquistou, novamente, o Torneio Início da capital gaúcha.

Equipe do Cruzeiro do final da década de 1940.

Time do Cruzeiro de 1954 - Em pé: Valdão, Laerte Terceiro, Dioli, 
Danton, Laerte Segundo e Leo. Agachados: Rubens Hoffmeister, 
Nardo, Orcelli, Casquinha e Jarico.

Na temporada de 1945, contratou o técnico húngaro Emerich Hirchl, que havia treinado uma série de clubes argentinos, tais como Gimnasia y Esgrima, River Plate, Rosário Central, San Lorenzo e Banfield. Foi o primeiro treinador estrangeiro a dirigir times do futebol profissional argentino. No Rio Grande do Sul, também entrou para a história junto com o Cruzeiro, que tornou-se o primeiro clube gaúcho a contratar um técnico estrangeiro. Ao desembarcar em Porto Alegre, o treinador húngaro trouxe para o Estrelado uma famosa dupla de atacantes italianos, Flamini e Lombardini, que já haviam atuado pela seleção nacional e por clubes como Lazio, bem como outros importantes times argentinos.

A inédita excursão entre os anos de 1953-1954
O pioneirismo da equipe cruzeirista se fez presente em outros momentos da história do clube e do futebol gaúcho. Em 1917, por exemplo, propôs a regulamentação da entrada de jogadores estrangeiros nos clubes gaúchos, algo que já acontecia em São Paulo e Buenos Aires. Esse espírito pioneiro se fez sentir também entre 1953-1954, quando viajou para Europa, Ásia e Oriente Médio, tornando-se o primeiro clube gaúcho a excursionar para jogar fora do país.

Equipe cruzeirista posando para fotografia no navio durante a 
pioneira viajem de excursão de 1953.

Time do Cruzeiro que empatou com o poderoso Real Madrid 
de Di Stéfano.

O ponto alto dessa excursão, sem dúvida, foi o empate contra o poderoso Real Madrid de Di Stéfano, no estádio Chamartín, atual Santiago Bernabéu. Mas o Cruzeiro também enfrentou outros grandes clubes do futebol europeu, tais como Lazio, Torino, Toulousse, Espanhol, Galatasaray, Besiktas e Fenerbahçe, entre outros grandes times. No geral, o saldo da viajem foi bastante positivo. Em 15 jogos, a equipe cruzeirista venceu sete, empatou quatro e perdeu as outras quatro partidas, marcou 28 gols e sofreu 20.

Real Madrid 0 x 0 Cruzeiro - Lance do jogo que garantiu um 
resultado histórico para o Estrelado.

Jogadores do Cruzeiro e da seleção israelense posando para fotografia 
antes da partida. O Estrelado foi o primeiro time brasileiro 
a jogar no Estado de Israel, em janeiro de 1954.

Recepção calorosa, marcada por uma grande festa, no 
retorno da excursão no início de 1954.

Uma nova excursão e a inédita conquista intercontinental
Em 1960, o Cruzeiro fez uma nova excursão, dessa vez apenas pela Europa. Ao longo da viajem, enfrentou vários clubes da Europa Ocidental, Escandinávia e Leste Europeu. Dentre os principais equipes, merecem destaque o Sevilha, o Espanhol, o Anderlecht e as seleções da Checoslováquia, Bulgária e Dinamarca (equipe Olímpica). Novamente, voltou com resultados bastante positivos. Em 24 partidas, venceu onze, empatou seis e perdeu sete, marcando 39 gols e sofrendo 35.

Equipe cruzeirista de malas prontas para retornar à Europa, em 1960.

Mais uma vez, o Estrelado fez história. Em terras europeias, depois de enfrentar vários times alemães, conquistou o Torneio de Páscoa de Berlim (um importante campeonato na época), transformando-se no primeiro clube gaúcho a ganhar um título intercontinental. Em 1961, numa nova excursão à Argentina, o Cruzeiro conquistou a primeira edição do Torneio de Páscoa de Mar del Plata, seu segundo título internacional.

Time do Cruzeiro que viajou para Europa em 1960. A foto foi tirada antes 
da partida contra o Figueres. Os donos da casa jogaram reforçados por 
Joel, Didi, Evaristo de Macedo e Vavá. Os quatro grandes jogadores
 brasileiros jogavam na Espanha e também aparecem na foto.

Os destaques da conquista inédita em terras europeias.

Da decadência a volta por cima: a desativação e o retorno a elite do futebol gaúcho
No final da década de 1960, a equipe cruzeirista começou a entrar em crise e iniciou um período de franca decadência. O clube que incomodava os grandes durante seus primeiros 50 anos de existência, quando chegou a ser considerado a terceira força do futebol gaúcho, começava a se desfazer e com o tempo passou a não existir mais. O Estádio da Montanha, motivo de orgulho da torcida, foi vendido e transformou-se em um cemitério. O clube até chegou a construir um novo estádio, em 1977, batizando-o de Estrelão. Seu último grande suspiro, no entanto, foi o título da Copa Taça Governador do Estado, conquistada em 1970.

Cruzeiro 0 x 0 Pelotas - Inauguração do 
novo estádio Estrelão, em abril de 1977.

Time campeão da Taça Governador do Estado em 1970. Em pé: 
Henrique, Miguel, Ortunho, Bido e Arceu. Agachados: 
Arlém, Arnaldo, Joãozinho, Pio e Laoni.

Mais uma foto do Cruzeiro de 1970, campeão da 
Taça Governador do Estado.

Em 1979, o Cruzeiro acabou sendo desativado, voltando ao futebol somente em 1991, ou seja, depois de mais de 20 anos. De lá pra cá, o Estrelado passou por maus bocados, chegando a disputar, inclusive, a 3° divisão do Campeonato Gaúcho. A partir dos anos 2000, o alvi-azul passou a investir na base e, como resultado, conquistou o título da Série B do estadual, conseguindo o acesso para elite do futebol gaúcho.

Mascote do time do Cruzeiro. Batizado carinhosamente de Leão 
da Montanha, em alusão ao antigo estádio do clube.

Recentemente, o clube negociou novamente o seu estádio, o Estrelão, construído em 1977. Em troca, receberá um novo e moderno estádio, no formato dessas novas arenas, em Cachoeirinha, região metropolitana de Porto Alegre. De volta a primeira divisão, e com um novo estádio, que será inaugurado em 2014, o centenário Cruzeiro espera reviver as glórias e conquistas do passado.

Hino do E. C. Cruzeiro - Letra e música do violinista e compositor gaúcho 
Túlio Piva, que se dedicou ao samba, ao choro e a música popular.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Olímpia e Atlético-MG fazem final inédita de Libertadores. Confira o histórico de confrontos entre as equipes, que já decidiram uma Conmebol em 1992.

Principio de confusão em um dos jogos pela fase de grupos da
  Libertadores de 1981. (Fonte: Revista Placar).

Depois de 21 anos, Atlético-MG e Olímpia voltam a se enfrentar em uma competição sul-americana. Coincidentemente, o último confronto entre as duas equipes também havia sido em uma final, não da Libertadores, mas da antiga Copa Conmebol, extinta em 1999. O Galo sagrou-se campeão, transformando-se no primeiro clube que conquistou essa competição, cuja primeira edição foi disputada em 1992. Nos dois jogos decisivos, ganhou dos paraguaios no primeiro confronto por 2 x 0, no Mineirão, já na segunda partida perdeu por 1 x 0 fora de casa, mas conquistou o título no saldo de gols, afinal, no placar agregado venceu por 2 x 1.
Na Libertadores, Atlético-MG e Olímpia já protagonizaram quatro confrontos ao longo da história da competição, todos pela fase de grupos. Em 1972, logo na primeira participação do Galo no torneio, foram dois empates: 0 x 0, em Belo Horizonte, 2 x 2, em Assunção. Os outros dois jogos ocorreram em 1981, ano da polêmica partida contra o Flamengo, que estava no grupo 3, junto com Atlético-MG, Olímpia e Cerro Porteño. Dessa vez, um novo empate por 0 x 0 na capital paraguaia e uma vitória atleticana por 1 x 0, na capital mineira.
O retrospecto entre as equipes, portanto, mostra que os confrontos sempre foram muito equilibrados. De um total de seis jogos, todos válidos por competições sul-americanas, contabiliza-se duas vitórias para o Atlético-MG, uma para o Olímpia e três empates. A equipe brasileira marcou 5 gols, enquanto a paraguaia balançou as redes do seu adversário em três oportunidades. O Galo nunca venceu o Olímpia nos Defensores del Chaco, mas também nunca perdeu para os paraguaios jogando no Mineirão. Em todos esses confrontos, os placares sempre foram muito magros e apertados. Por conta de todo esses histórico, bem como das atuais campanhas das equipes, a final promete ser muito equilibrada e disputada.

Oldair, lateral do Galo, em uma das partidas contra o Olímpia na Libertadores
 de 1972. O jogador atleticano foi um dos 5 atletas do time mineiro expulsos,
 depois de uma confusão contra os paraguaios.

Os atleticanos não podem esquecer, no entanto, o tamanho do Olímpia, que tem muito mais tradição do que o clube mineiro nessa competição sul-americana. Chega a sétima decisão, em 37 participações. É tricampeão (1979, 1990 e 2002), tem três vice campeonatos e chegou seis vezes as semifinais. Conquistou também o Mundial de Clubes (1979), a Copa Interamericana (1979), a Supercopa Sul-Americana (1990) e a Recopa Sul-Americana (1991 e 2003). Como se não bastasse, possui ainda 39 títulos nacionais, nenhum clube tem mais conquistas, o que faz do Olímpia o maior campeão paraguaio. É o clube mais popular do Paraguai, dona da maior torcida do país.
O Galo também é um clube bastante popular, tem um torcida de massa, no entanto, mais restrita a capital mineira. É considerado um clube grande no Brasil, mas há anos não conquista um título relevante, de expressão nacional ou internacional. Dentre os principais títulos estão os 41 campeonatos estaduais, 1 Campeonato Brasileiro (1971) e 2 Copas Conmebol (1992 e 1997). No ranking da Libertadores, publicado esse ano pela revista Placar, o Atlético-MG ocupa apenas a posição 70 (37 pontos), enquanto o Olímpia aparece na 6° colocação (312 pontos).
Os paraguaios se apoiarão, sobretudo, nesse histórico e na tradição para conquistar mais uma vez o principal campeonato sul-americano. O clube mineiro, por sua vez, deve se apegar ao bom futebol que vem demostrando ao longo da competição. Time por time, não resta dúvida que o Galo é superior, mas na Libertadores... camisa, experiência e tradição costumam pesar bastante no momento da decisão. Por isso, é bom o Galo ficar esperto!

Gols dos dois jogos finais da Copa Conmebol de 1992. O Galo sagrou-se
campeão com um placar agregado de 2 x 1. Em Belo Horizonte venceu
 por 2 x 0, em Assunção perdeu por 1 x 0.

Resumo: competições oficiais

Olímpia
X
Atlético-MG
6
Partidas jogadas
6
1
Vitórias
2
3
Empates
3
2
Derrotas
1
3
Gols a favor
5
5
Gols sofridos
3

Lista de jogos:

Libertadores
Atlético-MG 0 x 0 Olímpia (Fase de Grupos - 1972)
Olímpia 2 x 2 Atlético-MG (Fase de Grupos - 1972)
Olímpia 0 x 0 Atlético-MG (Fase de Grupos - 1981)
Atlético-MG 1 x 0 Olímpia (Fase de Grupos - 1981)

Copa Conmebol
Atlético-MG 2 x 0 Olímpia (Final - 1992)
Olímpia 1 x 0 Atlético-MG (Final - 1992)

Olímpia x Atlético-MG, um raio X da grande final da Libertadores

Último confronto entre as equipes, na final da Copa Conmebol de 1992.
 Naquela oportunidade, o Galo acabou sagrando-se campeão.

Depois de uma semifinal emocionante, o Atlético-MG terá pela frente o tradicional Olímpia (Paraguai) na grande decisão da Libertadores. O jogo promete ser emocionante, tenso, pegado, disputado, catimbado, enfim, uma final típica, com todas as características do principal torneio sul-americano. Observando os números da competição, percebemos que os finalistas chegam a essa decisão com ótimas campanhas.
O Galo, por exemplo, em 12 jogos, venceu 8, empatou 2 e perdeu 2 partidas. Fez um total de 26 pontos, com saldo de 27 gols marcados e 16 sofridos. Está invicto em casa, com 5 vitórias e 1 empate. Fora de seus domínios, venceu 3, empatou 2 e perdeu 1 partida. Em relação aos gols, assinalou 16 e sofreu 6 jogando em casa, já fora marcou 11 e levou 10 gols.
O time paraguaio, por sua vez, nos mesmos 12 jogos, venceu 7, empatou 2 e perdeu 3 confrontos. Somou 23 pontos, com um saldo de 23 gols marcados e 11 sofridos. Também está invicto em casa, onde venceu por 5 vezes, empatando apenas 1 partida. Na casa dos adversários, conquistou 2 vitórias e 1 empate, sendo derrotado em 3 oportunidades. Assinalou 15 tentos e sofreu apenas 4 jogando em casa, já fora de seus domínios, marcou 8 e levou 7 gols.
Todos esses números permitem observar mais detalhadamente a campanha dos finalistas, oferecendo-nos uma espécie de raio X dessa grande decisão. Por meio desse panorama, podemos constatar que os clubes tiveram uma trajetória bastante semelhante, ambos fizeram um ótimo campeonato. São as duas melhores equipes da competição. O Galo tem a melhor campanha, melhor ataque do campeonato, mas é seguido justamente pelo Olímpia, que tem a segunda melhor campanha, com uma das melhores defesas do torneio. Exatamente por isso, é muito difícil arriscar qualquer prognostico.
A verdade é que a decisão está em aberto. Qualquer um dos dois times pode ser campeão. O Atlético-MG tem uma equipe mais entrosada, mais técnica, com mais conjunto e futebol mais vistoso, talvez, por isso, até tenha um certo favoritismo. Mas o Olímpia tem mais tradição na competição: participou várias vezes, conquistou três títulos, disputará sua sétima final. Tudo isso pesa muito, ainda mais numa torneio como a Libertadores.

domingo, 14 de julho de 2013

Com um histórico de poucos confrontos, Treze e Luverdense se enfrentam pela Série C do Brasileirão.


Depois de vencer o Baraúnas na última rodada da Série C do Brasileirão, o próximo desafio do Treze será contra o Luverdense. A partida será realizado no estádio Passo das Emas, em Lucas do Rio Verde, Mato Grosso. As duas equipes venceram seus jogos na última rodada, por isso vêm embaladas para esse confronto.
Com 7 pontos em 4 jogos, a equipe mato-grossense ocupa a quarta colocação do grupo. Se vencer a partida chegará aos 10 pontos, mesma pontuação do líder Fortaleza. O time paraibano, por sua vez, somou 4 pontos, mas tem uma partida a menos em relação ao seu adversário. O Galo da Borborema ocupa a sétima posição na tabela. Se conquistar os 3 pontos fora de casa, encosta na zona de classificação, formada pelos quatro primeiros colocados do grupo.
Essa será a terceira partida entre as duas equipes, que se enfrentaram pela primeira vez apenas no ano passado, em dois jogos, também pela fase de grupos da Série C do Brasileirão. Diferente do Treze, criado em 1925, o Luverdense é um clube bastante jovem. O time mato-grossense foi fundado em 2004, tem aproximadamente 13 anos. Isso explica o baixo número de confronto entre as duas equipes.
O retrospecto dos jogos realizados mostra que, dos dois confrontos realizados, cada uma das equipes venceu uma partida. O Treze marcou 3 gols, já o Luverdense balançou as redes adversárias 3 vezes. Portanto, o confronto de logo mais será uma espécie de tira-teima. A promessa é de que seja bastante disputado. Não será um jogo fácil, mas o Treze tem condições de vencer, como fez ano passado, quando bateu a equipe mato-grossense por 2 x 0, mesmo jogando fora de casa.


Gols de Luverdense 0 x 2 Treze - Fase de Grupos da Série C
do Brasileirão 2012.


Gols de Treze 1 x 2 Luverdense - Fase de Grupos da Série C
do Brasileirão 2012.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Treze e Baraúnas, conheça a história desse confronto, que terá mais um capítulo pela Série C do Brasileirão.

Baraúnas 0 x 1 Treze - Gols e melhores momentos da partida, válida pela
 fase de grupos da Série C do Brasileirão 2004.

Com o fim da Copa das Confederações, o Treze volta a campo para disputar a 1° fase da Série C do Campeonato Brasileiro. Nessa próxima quarta-feira (10, 20:30h), o Galo da Borborema enfrentará o Baraúnas, no estádio Marizão, em Caicó, pela 3° rodada da competição nacional. O time paraibano somou apenas 1 ponto em dois jogos, por isso ocupa a nona posição, a antepenúltima da tabela, que lhe coloca na zona de rebaixamento. Já a equipe potiguar ocupa a sexta colocação com 4 pontos, mas com três jogos, um a mais que o seu adversário.
A partida é muito importante para ambas as equipes. Para o Treze, a vitória permite se aproximar da zona de classificação, já para o Baraúnas possibilita ocupar um lugar entre os classificados para a próxima fase. O confronto marca, também, o encontro entre os atuais vice-campeão paraibano e o terceiro colocado do campeonato potiguar. Considerando o desempenho dos clubes em seus respectivos estados, bem como a nível nacional, não restam dúvidas que a equipe paraibana é bem mais tradicional que a potiguar. O Galo tem 15 títulos estaduais (terceiro maior campeão paraibano) contra apenas 1 do Baraúnas. Tem ainda mais participações e resultados expressivos nas competições nacionais.
Historicamente, nos confrontos diretos, o Treze leva uma ligeira vantagem sobre o time potiguar. Em 7 jogos, todos válidos por competições nacionais (Brasileirão Série B e C), a equipe paraibana venceu 3, empatou 3 e perdeu apenas 1 partida, tendo marcado ainda 13 gols e sofrido 10 do seu adversário. O último confronto entre as duas equipes foi em 2005, também pela Série C do Brasileirão, durante a fase de grupos dessa competição. A partida foi disputada no estádio Amigão, em Campina Grande, e terminou empatada por três a três. Fora dos seus domínios, o Treze tem um bom retrospecto contra o Baraúnas. Em quatro jogos, venceu 2, empatou 1 e perdeu 1 partida.
A última vitória do Galo sobre o time potiguar aconteceu em 2005, pela fase de grupos da Série C do Brasileirão, quando venceu por 3 x 1, mesmo jogando fora de casa. A única derrota ocorreu há mais de 30 anos: perdeu por 3 x 2, em 1980, disputando a fase de grupos da Série B do Brasileirão. A equipe paraibana entrará em campo para defender todo esse bom retrospecto, já o time potiguar buscará quebrar essa incomoda sequência sem vitórias, que dura mais de 30 anos. Além disso, os três pontos é fundamental para as equipes na competição. Em meio a todos esses ingredientes, a expectativa é de um bom jogo.

Treze 3 x 3 Baraúnas - Gols e melhores momentos. Último confronto entre as
equipes, que disputaram a fase de grupos da Série C do Brasileirão em 2005.

Resumo: competições oficiais

Baraúnas
X
Treze
7
Partidas jogadas
7
1
Vitórias
3
3
Empates
3
3
Derrotas
1
10
Gols a favor
13
13
Gols sofridos
10

Lista de jogos:

Campeonato Brasileiro - Série B
Baraúnas 3 x 2 Treze (Taça de Prata, Fase de Grupos - 1980)
Treze 1 x 1 Baraúnas (Fase de Grupos - 1989)
Baraúnas 0 x 0 Treze (Fase de Grupos - 1989)

Campeonato Brasileiro - Série C
Baraúnas 0 x 1 Treze (Fase de Grupos - 2004)
Treze 3 x 2 Baraúnas (Fase de Grupos - 2004)
Baraúnas 1 x 3 Treze (Fase de Grupos - 2005)
Treze 3 x 3 Baraúnas (Fase de Grupos - 2005)